Final de tarde de uma quinta feira, uma
garoa típica da capital paulista toma conta da cidade. O estádio do Pacaembu está lotado. Eu bem que
queria estar ali, estava fácil pra mim já que eu estava em São Paulo neste dia,
mas uma gripe se aproximava rápido, me proporcionando uma sensação de mal
estar, aumentando aos poucos a temperatura do meu corpo e minando minha
disposição em sair do quarto em que eu me encontrava.
Mas meus olhos baixos se mantinham
fixos na TV, não queria perder nenhum lance, nenhum momento.
A arquibancada estava animada, as
pessoas pulavam, cantavam, ensaiavam gritos de guerra, num entusiasmo
contagiante. Que pena que eu não estava ali.
De repente, adentra ao estádio o
motivo, a razão, o porque de todas aquelas pessoas estarem naquele campo de
futebol em plena quinta feira, naquela noite que se iniciára há pouco.
Não era um jogo importante do
campeonato paulista, nem do brasileiro, copa do Brasil, Libertadores da
América, nada disso. Alias não era nem mesmo um jogo de futebol (mesmo porque,
se fosse, eu como bugrino que sou, ou era, sei lá, ultimamente não ando muito
disposto a falar sobre esse assunto) Toda aquela multidão estava ali, reunida e
unida, só para ver e saudar um homem vestido de branco: Bento XVI.
Quando o papa-móvel adentrou ao estádio
a multidão foi à loucura, as pessoas sorriam, gritavam, acenavam,
choravam. Ninguém estava imune a toda
essa emoção causada única e exclusivamente por essa presença. Eram jovens,
leigos, padres, bispos, seminaristas, freiras, todos agitados feitos crianças
em manhã de Natal. Cardeais com seus cabelos grisalhos e semblantes marcados de
autoridade corriam pelo gramado, como se fossem garotos, para poder ver de
perto aquele q vinha em nome do Senhor.
Bento. Bendito. Seja bendito e bem
vindo o que vem em nome do Senhor.
Naquele mesmo dia eu havia lido uma
matéria numa importante revista que me recuso a citar o nome, criticando esse
papa, dizendo que ele é um homem sem carisma e que o Brasil que havia se
acostumado à simpatia de João Paulo II, estranharia e se decepcionaria com esse
papa que chegaria ao país na mesma semana.
Fiquei pensando como esse jornalista
estaria (se não estivesse deveria estar) se sentindo ridículo nesse momento ao
ver toda a atração que esse velho homem, aos 80 anos, cabelos brancos, sorriso
tímido e gestos contidos, exercia nesse momento em toda aquela multidão de
fiéis, mesmo sendo tão diferente de seu antecessor. Talvez esse jornalista não
entenda jamais que aquele que profetiza em nome de Jesus não exerce fascínio
por sua luz própria e carisma, que o que nos encanta, a nós cristãos católicos,
é a luz emanada pelo Espírito Santo de Deus, a mesma luz que transformou
simples pescadores, homens que de tão comuns jamais se esperava nada deles, em
fascinantes líderes capazes de arrastar uma multidão. Assim se deu no princípio
dessa Igreja e assim se deu com Bento XVI, que como ele mesmo se auto definiu
em seu primeiro discurso como Sumo Pontífice: um humilde servo da vinha do
Senhor.
Não, esse jornalista jamais entenderia,
não sem os mesmos olhos dos que crêem, não sem ele vivenciar de forma pessoal o
milagre de Pentecostes, não sem a experiência do Paráclito, disponível, tanto
ao papa, como disponível à mim e à você.
Não havia como não se comover naquela
quinta feira. Nesse sentimento me lembrei de uma pergunta que um amigo me fez e
que eu nunca soube responder direito (ou jamais fui capaz de chegar a uma única
resposta). Ele me perguntou: “se você um dia tivesse a oportunidade de estar
diante do papa (ué, o Bono Vox esteve, porque eu não?) de poder falar com ele.
O que você diria? O que perguntaria?”.
Eu gripado, a essa altura já enrolado
em um cobertor (sonhando com um Toddynho quentinho), finalmente cheguei a minha
resposta. Eu diria:
“Tu és Pedro! Por isso eu te sigo”.
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