sábado, 27 de abril de 2013

O Processo de Joana D'Arc



O nosso filme de hoje é uma aula de cinema e história. Para mim, é de longe, o melhor filme sobre Santa Joana D’Arc já feito.

O Processo de Joana D’Arc seria apenas outro filme sobre a santa francesa martirizada pelo ingleses durante a guerra dos 100 anos? Claro que não!  Essa pequena pérola (o filme tem apenas uma hora de duração) prende-se não à vida da santa, tantas vezes levada às telas, mas ao processo que a condenou, isso e nada mais.

Esse filme foi realizado pelo cineasta francês Robert Bresson.  Para quem não conhece, Bresson é um formalista, seus filmes são únicos e autorais, muitas vezes difíceis de digerir.  O Processo de Joana d’Arc é um exemplo bem característico desse cineasta.  Em seus filmes, Bresson não utiliza atores profissionais e busca infundir naturalidade feroz em todas as cenas.  Não há trilha musical e, comparados a ele, todos os realizadores parecem estar fazendo espetáculos circenses.

Bresson filma a vida. Muito em virtude disso, filmou muito pouco, cerca de doze filmes em 40 anos. “O Processo…” foi seu sétimo longa (se é que é longa), esempre foi muito mal visto pelo grande público. Mas, neste caso, muito injustamente.  Caso mais pessoas vissem e entendessem filmes como “O Processo…” muitas das bobagens que ouvimos sobre Santa Joana e o papel da Igreja em seu martírio não seriam vomitadas pelos boca de latrina.

Não esperem ver aqui o festival de patacoadas dos filmes sobre Santa Joana que vemos sem parar nas películas em geral, principalmente na versão mal-fadada de Luc Besson.  Esse filme é um mergulho espiritual, daqueles que, ao final, você tem vontade de cair de joelhos e pedir perdão a Deus por ser um verme tão frágil.

Salve Santa Joana d’Arc!  E como diria o capitão Jack Sparrow: “Icem as velas seus ratos de convés!”

Esse filme recebeu o prêmio especial do júri do festival de Cannes, além do prêmio do Ofício Católico e o Prêmio de Melhor Filme para Juventude.

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